De acordo com
a Socióloga Graça Druck, quando o núcleo estável da
organização fica abaixo de 25%, ou seja, o número de
trabalhadores com emprego formal atinge valores tão baixos,
significa que a empresa atingiu o Grau Máximo de
Precarização, colocando a empresa sob grave e iminente
risco, pois, para garantir a manutenção do emprego
desestruturado o trabalhador se submete ao aceite de
qualquer labor. Ao final de 2008 a Petrobrás atingiu 79,55%
de contratos de trabalho “flexibilizados”, reduzindo seu
núcleo estável para 20,45%.
A análise
do Balanço Social da Petrobrás também indica que a empresa
deixou de atuar dentro de uma Óptica Preventiva e passou a
atuar de forma reativa. Elevando os custos com manutenções
não programadas e os acidentes de trabalho. As paradas não
programadas propiciam a celebração de diversos contratos com
dispensa de licitação, favorecendo possíveis práticas
ilícitas. O custo médio com paradas não programadas subiu de
U$$ 93,2 milhões para U$$ 418 milhões no último ano,
conforme pode ser evidenciado através das informações
declaradas pela Petrobrás na Comissão de Valores Mobiliários
(CVM), o que representa um aumento de 448%.
No tocante a
preservação do meio ambiente e investimentos na área de
saúde e segurança do trabalhador, os dados também são
preocupantes, pois reforçam a tese da atuação de forma
reativa. A redução de investimentos nestes setores,
considerando o elevado número de acidentes e incidentes em
suas instalações, o que tem chamado a atenção do poder
público e das comunidades que vivem em torno das unidades
operacionais da Petrobrás, são indicadores de que a empresa
tem atuado de forma imediatista, sem se preocupar com
possíveis passivos sociais e ambientais, colocando em risco
seus negócios e fragilizando a negociação de suas ações no
mercado internacional.
Segundo o balanço social da Petrobrás ao final de 2002 foram
aplicados 2,85% do seu rendimento líquido em Investimentos
ambientais relacionados com a produção/operação da empresa.
Ao final de 2008 estes investimentos caíram para 0.89%. Em
relação aos Investimentos com saúde e segurança no trabalho,
a empresa manteve uma média 0,05% nos últimos seis anos.
(*) Por
Wanderley Júnior, Mestre em
Saúde, Ambiente e Trabalho pela Faculdade de Medicina da
UFBA (2010), Especialista em Responsabilidade Social e
Terceiro Setor pela UFRJ (2007) e Bacharel em Ciência da
Computação pela UFBA (2004). Cursou Sociologia do Trabalho e
Flexibilização e Precarização: estudos de casos comparativos
pelo Departamento de Ciências Sociais pela UFBA (2007).
Técnico de Operação Pleno da PETROBRAS, atuando como
supervisor no período de 2003 a 2004. Eleito Representante
dos Empregados em Responsabilidade Social de 2004 a 2007
pela RLAM/PETROBRÁS, Atualmente está na coordenação do
Conselho de Saúde de Salvador, Coordenação do Conselho
Gestor do CEREST-SSA e na Coordenação de projetos do Forúm
de Proteção ao Meio Ambiente do Trabalho do Estado da Bahia
(FORUMAT). Tem experiência na área de Responsabilidade
Social, com ênfase em Meio Ambiente e Saúde Coletiva. Eleito
Delegado pela 1ª Conferência de Comunicação Social da Bahia.
e Conselheiro da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET-BA).